"Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu me perderia, e por me perder eu te perderia."
...::Clarice Lispector:...

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

.:Covered in rain:.


Quem sabe era apenas mais uma menininha andando pelas ruas, sozinha...

"Mais uma manhã chuvosa assim como tem sido todas as outras ultimamente. Tempo estranho esse, parece não dar trégua, passa diferente, comporta-se diferente. As pessoas andam apressadas na ruas e os carros andam lentos, querendo subir as calçadas.
Lembro de minha mãe dizendo que chovia por que São Pedro estava lavando a casa dele no céu. E que os trovões eram ele arrastando os móveis, eos relâmpagos eram ele acendendo as luzes... E que eu não tinha por quê ter medo de trovões e relâmpagos... Engraçado, eu nunca tive medo, eu adoro trovões, sou fascinada por relâmpagos, enquanto ela não dorme sozinha em noites de tempestade.
Mas essa não chegava a ser uma tempestade.
Era uma linda chuva fina, quase uma fumaça de água descendo dos céus, me molhando suavemente o rosto, sem machucar. E ainda assim o dia estava claro. Aquele cheiro de cidade do interior tinha gosto de infância com bolos de chuva e café quentinhos.
Enquanto todos corriam eu apenas caminhava em direção de casa. Não entendo por que as pessoas têm medo da chuva. É só água caindo do céu.
Eu cantava também, uma música lenta, como aquela garoa que caía. E tudo parecia fazer sentido, letra, música, água, chuva, pareciam fazer amor e bailar entre as gotas agora mais espessas, que caíam e escorriam pela minha pele. Provocavam-me arrepios com seus prazeres, seu toque.
E fazia calor, muito calor. Chovia, mas fazia calor.
E o tempo, em seu ritmo estranho parecia fazer tudo vir em câmera lenta dos meus olhos pra cima, enquanto no chão tudo se movia extremamente acelerado. Queria ficar pra sempre com a cabeça no alto então, olhando as brancas e cinzas nuvens agora despejarem sobre mim a água mais doce e clara que já vi. E ver, lá no alto, o fruto desse amor de águas claras e luz forte e quente. Nada como um arco íris no fim da manhã para lhe saudar. Vale a pena se encharcar por uma breve visão suave em tons pastéis. Foi só por um minuto, mas durou todo o tempo do mundo.
Valia a pena ficar toda coberta de chuva..."

Mas ela não estava sozinha, se apaixonou pela chuva que caía...

Sábado, 3 de Janeiro de 2009

infrutiferamente inválido
irremediavelmente solitário
irrealizavelmente abandonado
inesperadamente calado

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008


"Christmas, Christmas time is near
Time for toys and time for cheer"


Fim de ano. Como sempre aqui, atrelado a mesa, com um lindo e mimoso presentinho sobre ela, muito bem embrulhado com um laço azul, feito por mim, não consigo fugir à isto tudo, esta coisa de espírito natalino.
Mas o que seria isso? Conheço espíritos de porco... Ou o espirituosismo de falsos entusiastas... Espíritos da cara branca de talco que mal assustam criancinhas de 3 anos de idade... Mas estar no espírito do natal...
Se eu entender por isso pessoas correndo malucas às lojas, entupindo as filas de presentes mal pagos pra pessoas mal amadas, bom, isso se assemelha a qualquer filme hollywoodiano que se passe nesta época. Tanto faz se comédia pastelão ou romântica, e bom, esse espírito verde, branco e vermelho de pinheiros com coca-cola está por todos os lados, confesso.
Mas pode ser "espírito" algo tão "material"?
"- Ô seu moço! Me dá dois espíritos natalinos aí, embrulhados pra presente!!!"

***
E lá ia eu, apressado entre as pessoas, com pacotes e sacolas nas mãos.Refazia a lista, via se não tinha esquecido de ninguém. Não, não, estava tudo certo, estava tudo ali.
Via meio que fascinado todas aquelas luzes... Ah, disso sim gostava... As luzes! Que juntamente com aquela brisa noturna dava um ar romântico e um certo charme e graça àquela época do ano. Mas que raios as pessoas insistem em esbarrar na gente, apenas para le,mbrar que aquele mundo real existe no meio das luzinhas!!!
Toca pra casa que é melhor.
Mas antes passar na casa da prima, deixar os pacotes que ela pediu pra comprar. Biscoitos, chocolates e um bom vinho. Seria muito chique a ceia dela. Tem de ir à redação, deixar as castanhas e a camiseta que a cristina, a estágiária - ia dar de presente ao namorado que ela arrumou faz nem três dias, e ela pediu que eu cmprasse por que ela não teia tempo de ir fazer as unhas e comprar o presente. (Estranho essa das pessoas procurarem desesperadas companhia nesta época do ano) Passar também na casa da Rita, vizinha do andar de cima, deixar os pacotes que ela pediu de castanhas e nozes, e este monte de panettone que ela vai dar às criancinhas no sinal... Tão boazinha ela...
Ufa... Cheguei em casa... 24 de dezembro de mais um ano como qualquer outro... O cheiro que vem dos apartamentos vizinhos aguça qualquer fome! Melhor cuidar em requentar o frango do almoço, abrir minha sidra e esperar na varanda do quarto de luzes apagadas a passagem do tal velhinho... Quem sabe ele me dê alguma razão de presente...

Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

.:O Inferno São Os Outros:.


Fechava os olhos e continuava a correr...
Quando achava que o coração explodiria e a garganta se abriria para que os pulmões pudessem se expandir por ela, parava um pouco e andava apenas muito depressa naquela chuva fina que caía. nada de importante, apenas o suficiente para irritar pelas finas gotas que caíam machucando-lhe o rosto.
Apertava o passo, sem saber se iria chegar onde queria, ou onde queria chegar talvez fosse o que não sabia, mas trazia consigo os fones de ouvido e a surrada bolsa carteiro a tiracolo.
O barulho das ruas nem de longe diminuíam a sensação dos gritos em sua cabeça. Pedia por favor para pararem, mas aqueles gritos, e choros e apelos infantis não lhe deixavam pensar ou ouvir mais nada. Era mais que perseguição, estava em todo lugar.
Os fones agora eram inúteis.
Então acelerava, e acelerava, e a chuva antes fina parecia engrossar. Tal qual sua angústia diante daquilo tudo. E se chegasse em casa, o que encontraria? O que diria? Entraria sem dizer nada como o costume e enfrentaria aqueles pequenos olhares inquisidores a lhe questionar por onde andava?
E se não fosse para casa, o que lhe esperaria? Em que quarto se esconderia?
De olhos fechados continuava a correr. Poderiam pensar que era de ladrão, que perdera o horário, o ônibus, ou apenas tinha pura ansiedade, e corria. Agora molhava-se mais e mais naquela chuva, no calçadão da praia, a bolsa pesava embebida em toda aquela água, mas agora seu rosto era machucado pelo quente das lágrimas que desciam grossas por suas faces. Não saberia explicar o motivo delas, apenas sentia aquele aperto agoniante nos olhos, como se lavasse a alma de dentro pra fora enquanto a chuva lavava seu corpo de fora pra dentro. Era maior do que si. Mergulhava mais e mais naquela espécie de hipnose física: barulho de água nos ouvidos, coração acelerado da corrida, o choro das crianças em sua cabeça, as buzinas dos carros em seus ouvidos...
Não havia visto a reforma da calçada e menos ainda o buraco cheio de pequeninas pedras em seu caminho, inevitavelmente foi ao chão.
Agora sentia que parecia também uma daquelas crianças, e quis chorar mais ainda, olhando em volta todos lhe olharem. Apertou ainda mais os olhos, contendo tudo o que podia em si, concentrando-se para querer acordar se aquilo fosse um pesadelo.
Surpreendentemente a chuva cessou de vez, sendo substituída por um ar extremamente frio, as buzinas dissiparam-se, as pessoas não haviam mais; abriu os olhos já de volta à realidade branca e de paredes acolchoadas com cheiro de calmantes daquele quarto de hospital...

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

.:Presente:.


A falta do controle
A mágica do abismo
O desejo da vertigem e da dor
O alcance do outro, sonho
O risco do automóvel
A falta de resposta depois

É como se a gente não soubesse
Pra onde é que a vida foi
E tentasse segurar o que ficou

O caderno de empregos
A areia entre os dedos
O "não" mesmo antes de começar
A queimadura interna
A infinita espera
A vergonha de si mesmo no olhar

É como se não houvesse
Razão para sonhar
E o real parou no mesmo lugar

Partir e voltar inteira
A companhia perfeita
O apoio do que chamo de amor
O pouco de esperança
A agonia da infância
Um beijo que aplaca esse som

E você não se sente em casa
Nem no escuro do seu quarto
E nada é passado

.:Lua Aaliyah:.

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

.:Viva La Vida:.


Eu costumava dominar minha vida
E saber bem onde tudo iria chegar
Tinha cada simples plano traçado
Num caminho fechado onde apenas eu mandava
Eu costumava dar as minhas cartas
E virar a cara para quem não aceitasse
Mas agora encontro fechadas as portas dos castelos que eu construí
Caçado mesmo por aqueles a quem nem enganei
Agora querem minha cabeça a prêmio
E privar aquilo que sobra do tempo
Com o coração batendo sangue em uma das mãos
E nenhuma nova idéia do que fazer na mente
Os anjos misturam-se aos diabos no bater dos sinos
E nenhuma fé neste ponto para mim faz sentido
O mundo girou e me perdi no campo
Escuto ao longe o som do que um dia foi meu
as palavras que pensei que eram do meu enredo
Achei que tinha os fios nas pontas dos dedos
Até descobrir que a marionete sou eu
De alguma forma que eu não sei explicar a certeza se foi
E do que eu imaginei que estivesse lá
"Nunca uma palavra honesta
Era quando eu dominava o mundo..."

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Apenas agradecendo a Ivana por, muito delicadamente, expressar com palavras que ela leu aqui o que ela quis no blog dela...
Sabe, isso é bacana, escrever algo com o que as pessoas se identifiquem. ainda quero escrever algop que alguém leia e diga: putz, é meu texto! sou eu aqui!!!
Rsrsrs

pretensões de uma sonhadora lua...

Anyway, tô sem pc, por isso tão poucas postagens.
Aliás, tô com um texto prontinho pra postar, mas falta uma supresinha meio antiga meio inédita aqui no blog, quando eu publicar, saberão. nada de mais, mas bem importante.

Ah, visitem o blog da Ivy! É muito bonito mesmo!
www.cuidadocomosbaobas.blogpot.com

Volto em breve!
;)

Sábado, 11 de Outubro de 2008

"Quando uma criança percebe que o adulto comete erros, ela torna-se adolescente...

... quando começa a perdoa-los, ela vira um adulto"




Não sei quem escreveu/disse isso. Mas achei interessante.

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Como eu já sabia...

textos longos ninguém lê...

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

.:Of Days:.


Havia sido tudo de certa forma tão desastroso, que sabe quando algo sai tão errado que você fica adormecido, num estágio tal de dormência que parece que nada daquilo é real? Estava assim, num dia qualquer como seria qualquer outro dia, com coisas funcionando como qualquer outra coisa funcionaria, e parecendo dar tudo errado como a qualquer pessoa pareceria.
Apenas chegou em casa, e deitou-se no sofá, sem desejo e sem vontade. Sentia-se mal do estômago, tudo revirava lá dentro. Achava até que tinha febre, não sabia, mas não tinha ânimo.
Pés jogados na mesa, camisa desabotoada, calça aberta, fitava o teto como se tentasse espantar dele seus fantasmas. E lia em casa teia de aranha todas aquelas palavras que sabia verdadeiras, ditas por quem menos esperaria numa situação daquelas, como numa entrevista com a morte, onde ela lhe diz as respostas que você sempre quis ouvir...

Pode não ser o fim da estrada.
Eu bem queria te dizer um monte de coisas, mas apenas digo isto, que pode não ser o fim da estrada.
Por muitas vezes vais te desesperar, e embriagar teu corpo com os mais variados licores, uns nem tão puros como outros, e achará que nada mais faz sentido nesse novo mundo que salta bem em frente aos teus olhos. Por que quando você faz de uma única coisa o significado de tudo, essa coisa tende a se perder, é ilogicamente certo. E com isso toda a certeza flui e o chão se abre diante de teus pés.
E vais chorar e procurar desculpas pelas rachaduras da calçada, ou da tua alma, ou não encontrará problema algum onde visivelmente existem todos os problemas do mundo. E ninguém te entenderá. Não, ninguém entende o que se passa na mente de uma pessoa quando não se passa nada na mente de uma pessoa que finge não passar nada em sua mente. Ninguém entende quando você fica distraída olhando pela janela do carro enquanto ele rabisca qualquer coisa naquela folha da propaganda do prédio que juntos vocês disseram que iam comprar. E você olha de lado, como quem não tem muito interesse, assim, como quem não quer nada, como aquela namorada que vai falsamente distraída caminhando em direção à loja de chocolates para que lhe comprem um, você olha sem prestar atenção na esperança que ele simplesmente lhe mostre o que ele rabisca tão interessadamente. Mas ele pára e se distrai com algo qualquer lá fora, e num descuido você tem acesso àquelas palavras tão misteriosamente desejadas. E verás que não se trata de nenhum poema ou canção de amor à sua pessoa, não mais do que anotações cotidianas, e voltarás ao teu silêncio em direção ao sinal sempre vermelho em seu caminho. Vais corar não de vergonha. Nem de raiva. Se sentirá tola, a vida é isso.
Ninguém entenderá tua falta de respostas. E formularás mil perguntas para explicar o óbivo, se chatearás com o absolutamente nada. Ficarás doente, a febre tomará conta de teu corpo enquanto absolutamente nada acontece, a não ser a falta de algo para acontecer, e essa falta é o que te transtorna.
Vai te afogar em trabalho, e criar mil e uma situações descartavelmente imprescindíveis, em que só você poderá resolver, quando na verdade qualquer pessoa sabe resolver, exceto você, claro. Mas procurará, e se chateará por não conseguir, e se sentirá fraca e inútil, procurando desculpas pra tua inutilidade naquilo que não sabes fazer, deixando de lado todo teu suor e esforço, relegados a um segundo plano insgnificante e esquecido. Não serás modesta ao fazer isso, mas por puro egoísmo te trancarás num mundo malfeito, apenas por autojustificativa.
Lembrarás de quando criou coragem para falar sobre amor e estrelas, por que tudo é amor e estrelas. Tudo é essa coisa forte, brilhante, intensa, misteriosa, mas que um dia do nada explode, cai e morre. Por que quando a gente olha praquele céu estrelado, cheio de pontinhos pretensamente ofuscantes, plenos de um significado tão inventado quanto a raça humana, estamos na verdade observando o passado, de milhares de anos. Uma vez que o passado nos persegue, nosso presente é fadado a olhar pro céu e olhar pra ele, passando. Um passado que sequer existe mais, mas que você olha pra ele toda noite. Ele parece tão bonito de baixo, de longe. Mas se chegar perto, não agrada os ohos e machuca quem pára pra olhar assim, bem de perto...
Assim como de perto eu ouço tua respiração e quase sinto tuas lágrimas a me encharcarem a camisa xadrez, eu sei, vais chorar como julgou nunca ser capaz de chorar na vida, mas uma vez você também não julgou estar enganada como nunca esteve antes, julgou odiar como nunca odiou antes, julgou julgar como nunca havia julgados antes?... Não existe um antes, apenas o depois, que dá sentido ao agora.
E sem o teu depois, não tem mais sentido agora. E agora, sem sentido, sem depois, nada mais resta a não ser a alma transbordando pelos olhos, e poros, te fazendo vomitar no tapete verde cada segundo de todo o tempo da eternidade sem sentido, que nem essas palavras.
Perderás todo o sentido. Mas repito, não é o fim da estrada. Não ainda.

E realmente não havia sentido. Não havia sentido o tempo passar, nem que a fome chegara e fora embora, nem que a idade já pesava em decisões mal-feitas. Pegou um livro qualquer na estante e leu até adormecer. Mas não tinha certeza de que o dia seguinte seria melhor...